18 mar

Babau, o novo ídalo mundial!

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Confira o som e a entrevista publicada no site Homem com Agá com este “novo” gênio da música popular.

[audio:Babau.mp3]

Beto: O senhor é de Fortaleza mesmo?
Babau: Sou de Sobral, vim aqui para Fortaleza em 1964. Dois anos antes minha mãe morreu, eu fiquei de favor pelos cantos, pra lá e pra cá. Daquele jeito não dava, eu tenho cabeça quente, eu sou meio grosso mesmo e tinha que sair de lá.
E como foi a chegada em Fortaleza?
Babau: Não foi muito bom porque não podia andar nos ambientes onde queria. Eu era de menor, não dava para freqüentar a chamada zona do baixo meretrício, os cabarés, que a gente chamava de “curral das éguas”.

E esse apelido Babau, vem de onde? Qual o seu nome verdadeiro?
Babau: Meu nome de batismo é Francisco Raimundo de Souza. Nem eu sei que diabo é babau. Acho que se procurar no dicionário você não encontra não. Esse apelido eu ganhei dos colegas de trabalho. Dizem que babau é aquele monstro que assombra as crianças, como um bicho papão. Eles dizem assim: “se você não comer eu tudo, eu chamo o babau, viu?”

O senhor ainda não está vivendo só da música. Em que mais o senhor trabalha?
Babau: Eu já fui engraxate, também conhecido como “alimpador de sapato”, quando cheguei em Fortaleza não tinha nada e trabalhei como guia de cego. Desde 72 trabalho como vendedor de jogo de bicho no Paratodos.
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Já chegou a ganhar alguma coisa?
Babau: A casinha que tenho comprei numa vez que ganhei no milhar. Antes morava em quartinho, morava de favor, passava humilhação, comprei essa casinha com o jogo do bicho.

E quando o senhor virou artista?
Babau: Eu comecei no triângulo acompanhando sanfoneiro, em 72 mais ou menos é que passei pro pandeiro. Cantor mesmo, fazer show, foi só no ano passado. Eu nem podia imaginar que ia acontecer isso que está acontecendo. Gravei meu primeiro CD num estúdio do Centro, só na voz e no pandeiro. Eu nem sabia o que era direito, chamava “compat”. Hoje já estou com três CDs. Eu calculo que já vendi uns seis mil CDs, só de mão em mão. Não tem em loja. Fora o que a negada está pirateando por aí. Eu sei que no interior e pelo Centro tem muita loja vendendo piratas dos meus CDs. Até já me disseram para ir na Polícia Federal para ver isso. Não sei se é lá mesmo que é pra ver isso… Ainda não fui porque estou com medo de dar viagem perdida.

De onde vem a inspiração para as suas músicas?
Babau: Tiro idéia da imaginação, da memória, da minha inteligência né? Olho para uma coisa e faço a música. Tenho 36 músicas. A do Magão (sujeito magro e alto) foi assim. Eu olhei para camisa dele, vi ele tomando aquele gole no chope e foi mudando. Eu fiquei rindo e fiz a música.

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Aqui em Fortaleza e em grande parte do nordeste o senhor é uma celebridade. Tudo isso aconteceu em 2004. O que mudou na sua vida?

Babau: Mudou muito. Até minha véia mudou. Ela andava toda mulamba, toda esfarrapada. Agora comprou roupa, compra manga, abacaxi, mamão, não tem nem onde colocar, mas compra. Compra bolacha, esses biscoitos, a gente nem tem menino pra comer isso, mas ela compra. Eu dei uma ajeitadinha na minha casa. Tenho agora essas roupas que uso nos shows. O Carlinhos me arranjou três paletós.

Carlinhos (interrompendo): Ele queria fazer show com a roupa normal que ele andava. Foi um sacrifício convencer ele a usar uma roupa legal para show. Nem sabonete ele queria usar quando tomava banho.

Babau: Eu uso sabonete sim. Esse aí quer se meter até no meu banho, já viu? Antes eu só andava de chinelo. Agora eu comporei mais de um sapato, nem chinelo só uso mais. O chinelo só serve para quando eu saio do banho não pisar no chão.

(dois rapazes e uma menina vem ao bar fechado pedir autógrafo a Babau)

Eu ouvi dizer que não foi só isso que mudou não, que tem muita mulher atrás do senhor também. Sua mulher não fica enciumada?
Babau: Ela não entende o que está acontecendo. É como uma criança, nem sabe que eu sou cantor, que faço show. Um dia mostrei ao CD pra ela, ela nem sabia o que era. Depois de um tempo ela virou pra mim e disse: “Que diabo é isso? Parece um corujão”. Mas isso está acontecendo mesmo. Tem muita mulher querendo amizade comigo, querendo gostar de mim.

Conta aí como é que elas fazem.
Babau: Na Unifor (Babau cantou na festa de calouros da Unifor, maior universidade particular do Ceará) arrumei uma lorona. Ninguém entendia, ela só queria dançar comigo. Ela tava bêba. Teve uma vez também que fui cantar numa festa das baronesas numa casa das Dunas (bairro de mansões), estava lá escondido esperando ser anunciado, você sabe como o artista faz né? Aí quando entrei aquela baronesa loura pulou em cima de mim, foi aquele boneco (bagunça) medonho. Ela me derrubou no chão de tanto beijo.

Parece que esse assédio sempre acontece nos seus shows e às vezes você se irrita né?
Babau: Os bêbabos querem me agarrar, tirar foto, pegar autógrafo, as mulheres querem me agarrar. Eu não gosto que invadam o palco, isso eu não gosto e não deixo. Dia desses um estudante quis rebolar (jogar) cerveja em mim. Eu não aceitei, me enfezo mesmo. Ameacei dar um chute e ele tirou uma carteira dizendo que era polícia. Quando o Carlinhos viu era carteira de estudante. Sou cabeça quente, não gosto que fresquem (sacaneiem) comigo não.

Como é que o senhor agüenta ficar sóbrio no meio dessa farra toda? O senhor também gosta de uma cachacinha?
Babau: (sério, pela primeira vez) Há 16 anos parei de beber, eu não me dava bem, eu tinha uns problemas, sou alcoólatra.

Tem agora uma moda do metrossexual, que é o cara que se maquia, que passa creme no cabelo, pinta as unhas essas coisas. O que o senhor acha disso?
Babau: Eles passam lá um pó no meu rosto, umas coisas, mas é só na hora apresentação, na hora do show, pro rosto não brilhar muito né? Mas é só na hora do show. Aí tudo bem. O cara que usa direto é baitola mesmo, só pode ser.

Como o senhor explica esse sucesso todo tão rápido, principalmente entre os jovens?
Babau: Eu tô na mídia né? As pessoas acharam importantes as minhas músicas, as coisas que eu canto. Tem rádio aqui que coloca direto minhas músicas. As pessoas todas me conhecem na rua, me param, conversam, dizem que gostam.

O senhor foi até para São Paulo gravar entrevista?
Babau: Fui ao programa do Tom. As pessoas em São Paulo falam muito engraçado. Era um tal de “põe isso aqui, põe isso lá”, quem põe é galinha ora…Outra coisa engraçada é que eles chamam sinal de farol, muito engraçado isso. Mas é o jeito deles falarem né? Eu me enrolei com a porta do quarto do hotel com aquele tal de cartão magnético. Nunca tinha visto aquele bicho.

E quais são os planos do Babau agora para 2005?
Babau: Está quase pronto o meu CD novo, que vai sair antes do carnaval. Vai ter “A Veia dos Peito Mole”, “A Luta do Cururu”, “Dê o Caneco a Eu” e outras. Essa última foi de uma festa que eu fui que a pessoa podia beber de graça mas tinha que levar o caneco de casa. Eu achei engraçado e fiz a música.